Educação Sexual em Portugal | Polémica

09:30


Hello hello. Hoje trago-vos um tema polémico no nosso país: educação sexual. E polémico porquê? Por todo o tabu que existe em torno do tema! Um tabu ridículo nos dias de hoje mas que continua a ser tabu.
Como sabem, sou Mestre em Ciências da Educação e especializei-me em Educação para a Saúde, mais concretamente em educação sexual em Contexto Escolar, portanto, estes temas fazem parte da minha vida e são vistos por mim como ri-dí-cu-los. Totalmente ridículos. Mas vou falar-vos um pouco desta questão.

Tenho 25 anos e quando andava no 2º ciclo (aka 5º e 6º ano) tudo aquilo que me foi passado relativamente à sexualidade foi, nada mais nada menos do que, o sistema reprodutivo e pouco mais. O pior é que esta transmissão foi feita na aula de ciências, rapidamente, sem dar muito ênfase porque "Meu Deus, falar de sexualidade é crime". Isto é real (e atenção que eu estudei numa escola pública).
No 3º ciclo (7º, 8º e 9º ano) e no secundário (10º, 11º e 12º ano) a única coisa que era abordada era a utilização do preservaitvo e a SIDA. Meu deus... Que ensino deficitário que eu tive. (Já agora estou curiosa com o que vocês tiveram, contem-me lá nos comentários).

Como todos sabemos, infelizmente nem todos os pais transmitem os conceitos básicos de sexualidade aos filhos, e quando digo básicos digo explicar o que é um pénis, o que é uma vagina, para que servem os órgão sexuais, contraceção, infeções sexualmente transmissíveis*, etc. 

Afinal quem deve ensinar sexualidade às crianças?

Se os pais não educam sexualmente os filhos, a quem cabe esta tarefa? À escola!
Antes, e atenção que o meu básico ao secundário ocorreram entre 2001 e 2009, não havia propriamente legislação que decretasse que a escola era obrigada a instruir sexualmente os alunos. No entanto, em 2009, a Lei nº60/2009 estabeleceu o regime da educação sexual em meio escolar, definindo os objetivos da mesma e o seu enquadramento curricular e organizacional, isto é, a educação sexual assumiu um carácter obrigatório nas escolas. Esta lei prevê que os alunos tenham um mínimo de horas de educação sexual em cada ano de escolaridade: 6h no 1º e 2º ciclo e 12h no 3º ciclo e previu a criação de gabinetes de saúde.

Têm as crianças acesso à educação sexual nas escolas?

E o que parece uma resposta evidente, não o é. O facto de não haver uma disciplina específica para tal faz com que todos se vão descartando e com que as crianças saiam prejudicadas. Não, as crianças portuguesas não têm acesso à educação sexual. Uma falha grave e que deve ser rapidamente colmatada. 
No meu ponto de vista é ridículo o motivo pelo qual todos se descartam de instruir sexualmente as crianças. Não é na prevenção que está o ganho? Não queremos um futuro risonho para as nossas crianças? Não está mais do que na hora de travar os números altos de gravidezes na adolescência? Porquê ter vergonha de algo tão natural como a sexualidade? Porquê ter vergonha de pronunciar a palavra pénis ou a palavra vagina? Não faz tudo parte do ser humano?
De quem é afinal a obrigação de instruir sexualmente as crianças?? De todos! Não só dos pais/da família como também da escola. A responsabilidade é de todos. É o futuro que estamos a formar! Depois assisto a casos graves de miúdos que com 18 anos não sabem o que é um bordel (isto é real!). E não, não é este o futuro que quero para as minhas crianças, para o meu país.
Porque é que o estado não investe nesta área?

Gostava de mudar o país em relação a esta realidade!

Felizmente há países que não têm tabu em relação a esta temática e que preferem educar do que ocultar/ignorar a realidade. A Noruega é um desses países. Não tem tabus, prefere educar, prefere prevenir, prefere cultivar as crianças e como tal, ensinam educação sexual na televisão pública. Deixo-vos com um dos vídeos deles (há MUITOS no canal de YouTube, se tiverem curiosidade, vejam!).


Espero que esta realidade mude, espero que Portugal deixe de ser preconceituoso, deixe de ter tabu, deixe de ser um "paísinho" à beira mar plantado. Era tão bom ver Portugal noticiado pelos melhores motivos e não pelos maus (como é)...

Fica a esperança de que algum dia mudemos... 
Fica a esperança... Porque a esperança é a última a morrer.

Qual a vossa opinião relativamente a este assunto? O que acham do caso da Noruega?
Contem-me tudo nos comentários.

Um mega beijinho*


*Apesar de habitualmente se utilizar o termo "DST" - Doença Sexualmente Transmissível, a Organização Mundial de Saúde (OMS) substituiu este termo por IST - Infeção Sexualmente Transmissível.

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15 comentários

  1. Ola :) Adorei o post:)
    Obrigada:) Bjs
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    1. Adoraste o post? Mas qual a tua opinião/posição? Beijinho*

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  2. A minha mãe ainda hoje me conta que quando lhe mandaram uma autorização para casa a perguntar se eu podia assistir a uma aula de educação sexual eu implorei para que ela não me deixasse. E porquê? A minha explicação - segundo que ela diz, porque eu já não me recordo - foi que nessas aulas os meninos gozavam com tudo e para isso preferia tirar as minha dúvidas com ela. E sempre assim foi! Acho que, em primeiro lugar, essa educação tem que vir de casa. As crianças devem sentir-se suficientemente à vontade com os pais para tirarem todo o tipo de dúvidas com os mesmos. No entanto, claro, quando tal não acontece a escola fica com o papel principal. E por isso é que, tal como disseste, é tão importante pôr de lado este tabu.

    Bom artigo :)

    Kiss, Mariana Dezolt
    Messy Hair, Don’t Care

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    1. Sim, a verdade é que os miúdos gozavam com tudo mas porque essas ditas palestras/sessões eram dadas por um qualquer professor da escola ou por um enfermeiro que nenhuma formação tinham para lidar com a educação sexual na escola. Nos dias de hoje já não se justifica, aliás, é inqualificável o facto de haver pessoas formadas para tal e que estão no desemprego AKA eu :p
      Concordo contigo, mas acho que não há primeiro nem segundo lugar no que respeita à instrução da sexualidade... Ambos têm o mesmo nível de responsabilidade e ambos devem caminhar lado a lado.
      Beijinho
      Beijinho

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  3. Amei o vídeo, no início fez-me impressão ela mexer mas isso é porque eu própria tenho uma relação com o corpo tanto masculino como feminino de uma certa repulsa (isto tem uma razão mas não vou expo-la aqui porque é muito má), mas adorei a explicação, o facto de não haver tabus a falar, a dar nomes às coisas como elas realmente são!
    Portugal... Portugal continua a ser o pardieiro preconceituoso e com mentalidade velha, retrógrada dos anos 50... Não tenho grande esperança que mude sinceramente.
    Eu só soube o que era o período quando ele me apareceu (12 anos) e fiquei assustada porque nessa altura eu já me masturbava às escondidas sem entender o porquê de me masturbar! Eu não entendia o que se passava comigo!
    Ainda hoje me lembro que quando começou a sair um líquido acastanhado eu pensei (meu deus, estou grávida) eu sabia porque já tinha visto na televisão que era pelo "pipi" (o k eu dizia na altura) que se engravidava e tinha bebés. Depois a minha mãe descobriu e lá me disse que era o período mas eu fiquei a perceber o mesmo, por sorte, nessa altura tive uma palestra no ciclo onde explicavam tudo, desde as doenças ao que era o período e o que isso significava etc.
    Enfim, ainda hoje os meus pais têm vergonha de falar sobre sexo e Deus me livre e guarde de algum dia ser assim (só que não né? Ahahahahah e mais eu que sou uma descarada do carago).
    Gostei muito do post, beijinho

    www.blogasbolinhasamarelas.blogspot.pt

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    1. Infelizmente é a realidade... O nosso país ainda é muuuuito pequenininho nestes aspectos... Mas lá está... És um exemplo de que falhou a educação sexual em casa. Onde estava a escola nesse papel? Não esteve.
      Beijinho e obrigada pelo testemunho :)

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  4. No meu ensino primário não se abordou nada sobre esse tema. Segundo e terceiro ciclos apenas aquelas "ações de formação" (?) sobre o que é a sexualidade e como colocar um preservativo e afins. Secundário foi a mesma coisa se bem que abordaram algo como doenças sexualmente transmissíveis. Mas algo muito breve. Não acho que haja diferenças entre escolas públicas ou privadas nem que nas privadas há mais pudor que nas públicas ou vice-versa. Penso que é uma questão de mudar mentalidades.

    Não quero parafrasear a do Big Brother 1 que disse que "o sexo é como comer um iogurte" mas bem vistas as coisas (bem lá no fundo) ela tinha/tem razão. Sexo faz parte das nossas vidas, é algo comum, natural, que faz parte. Temos que saber lidar com isso da melhor forma possível. Para quê considera-lo tabu?

    Não digo que as pessoas devam começar a falar abertamente da sua vida sexual ou vida íntima. Nada disso. Cada um sabe de si e isso só diz respeito a cada um. Apenas devemos saber falar sobre questões deste género (preservativos, outros métodos contracetivos, relações sexuais, DST's) naturalmente, como se fala de um filme que vimos ou de um livro que andamos a ler.

    O que mais me preocupa este pudor todo, em termos de saúde pública, é o facto de os jovens cada vez mais não utilizarem preservativo, haver um aumento das DST's e pior, as adolescentes (e isto digo com base na minha experiência profissional) considerarem a pílula do dia seguinte não como método de contraceção de emergência mas sim como método contracetivo. Têm a ideia de "eu vou estar com o meu namorado, logo preciso disso para tomar a seguir". Isto preocupa-me. Se os pais não têm conversas deste género com os seus filhos, tem que ser a escola a assumir este papel precisamente por uma questão de saúde pública.

    Desculpa a extensão do comentário Minnie mas, tal como tu, considero este assunto de máxima importância e que deve ser encarado com mais seriedade que aquela que está a ser de momento.

    Biso
    Ricardo, O Pinguim Sem Asas ;)

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    1. Infelizmente há diferenças entre escolas públicas e privadas. Muitas das escolas privadas do nosso país são católicas e falar de sexo é crime. E sim, há mais tabu nas mentalidades dos miúdos das escolas privadas, normalmente os pais colocam-nos em escolas privadas para os "proteger" de tudo e mais alguma coisa. Achas mesmo que em casa se fala disso? Na maior parte dos casos, não. Claro que há exceções.
      Há algo que as pessoas não conseguem compreender (e que tu referiste no teu comentário). Ensinar sexualidade não é falar de sexo... Isso é 1/100. Sexualidade é muito muito muito mais do que falar de sexo, as pessoas é que associam logo tudo errado e por isso o tabu.
      Se questionares 10 jovens sobre a utilização do preservativo, para que serve, etc. 9 não te vão saber responder...
      Relativamente às IST's, fazes noção de quantas pessoas têm por exemplo SIDA e não fazem ideia? Fazes ideia de quantas pessoas têm outra qualquer IST e não fazem ideia? Muitas.
      Sim, a pílula do dia seguinte é considerado um contracetivo pelas jovens. Sabes qual é a minha opinião face a essa pílula? Devia ser prescrita por um médico. Se as adolescentes soubessem que tinham de passar primeiro por um médico para a obter, acredita que a utilização diminuía 90%.
      No que diz respeito ao "se os pais não educam sexualmente, então a escola tem de educar" não funciona assim... Os pais e a escola TÊM de caminhar de mão dada, se não, nada feito.

      Beijinho e obrigada pelo teu comentário.

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    2. Há excepções em tudo. Quer seja nas colas privadas, quer seja nas públicas. Também há muitos miúdos (e pais) nas escolas públicas que não têm este tipo de conversas.

      Não digo que educação sexual é falar apenas de sexo. Não. É muito mais para além disso. E tem que haver cada mais sensibilização para essa temática e divulgação de informação.

      Tenho ideia das pessoas que contraíram uma DST/IST e não têm noção disso. Infelizmente,

      Quanto à pílula, o curioso é que existem três no mercado: apenas uma é sujeita a receita médica. Apenas uma. Porquê? Alguém me explica?

      Às vezes as coisas escritas acabam por levar a más interpretações. Os pais têm de ter este tipo de conversas com os filhos. A escola também. E convém tentar detectar algum comportamento erróneo (ou quando há suspeitas disso). É uma questão de mudar mentalidades e sensibilizar mais a população em geral para esta temática.

      :)

      Biso

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  5. Felizmente tenho uma mãe muito querida que me ia falando sobre algumas coisas de forma leve mas que sempre me fez entender tendo consciência e cuidado! Infelizmente acho que o nosso país precisa de Educação Sexual pois cada vez mais vemos pessoas e situações de levar as mãos à cabeça!

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    1. Felizmente tive a mesma sorte que tu, daí que para mim falar de sexualidade é-me completamente indiferente, mas tenho amigos que se sentem demasiado incomodados com isso.
      Beijinho

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  6. Por acaso não me posso queixar neste campo. Estou quase a fazer 25 anos e devia andar no 6º ano quando tivemos uma palestra em que nos falaram de tudo um pouco e até um preservativo nos ensinaram como se punha. Eu tinha 11 anos na altura e fiquei feita parva a olhar para aquilo. Mas éramos de uma geração um pouco mais inocente. Os miúdos e miúdas de 11 anos hoje em dia já sabem mais do que muitos adultos! Acho super importante haver educação sexual na escola e em casa! A minha mãe sempre falou muito abertamente comigo sobre tudo e agradeço-lhe isso. Um dia que tenha um filho também não irei querer ter tabus. Não há necessidade para tal.

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    1. Na palestra do 6º ano falaram-te de tudo um pouco? Ok... Tiveste sorte :)
      É verdade, os miúdos de hoje em dia... Vai lá vai :)
      Beijinho

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  7. Vivemos em PT, ainda existem muitas mentes fechadas, infelizmente.
    Beijinhos
    www.beatrizcouto.com

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    1. Um país que se diz tão evoluído e olha... Enfim...
      Beijinho

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